terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Há um momento na descida para a paralisia económica em que ao Estado já não basta cobrar impostos. A solução? Colocar empresas privadas a garantir o pagamento de benefícios sociais. Como a mentalidade da «verdadeira esquerda» (Bloco, PCP, actual PS) exclui o conceito de relação causa-efeito, fazê-lo não implica obrigar essas empresas a distribuir os custos da medida por todos os seus clientes ainda não suficientemente pobres para terem eles mesmos direito aos benefícios mas apenas diminuir-lhes o nível «obsceno» de lucros (é sabido: para a esquerda, uma empresa privada ou tem lucros obscenos ou gestão criminosa). Começa-se pela EDP, entidade fornecedora de um bem que muitos, consciente ou inconscientemente, acham que devia ser gratuito (ei, a electricidade é uma espécie de download, certo?) e que todos apreciam odiar. E abre-se caminho para ir mais longe. Para, sei lá, tornar obrigação do Continente, do Pingo Doce e do Lidl a distribuição mensal de cento e tal mil cabazes de compras; para tornar obrigação da Galp, da BP e da Repsol a oferta mensal do combustível correspondente a cento e tal mil depósitos; para tornar obrigação da McDonald's, da Pizza Hut e da H3 a entrega mensal de dez (ou talvez quinze) vezes cento e tal mil menus; para tornar obrigação da Fidelidade, da Tranquilidade e da Allianz a subscrição anual de cento e tal mil apólices de seguro; para tornar obrigação da MEO, da NOS e da Vodafone a disponibilização de cento e tal mil pacotes de telemóvel, televisão e internet (sem período de fidelização);
O Brexit é uma perspectiva de pesadelo que introduz incertezas económicas para o Reino Unido e que teria um impacto devastador na economia europeia. Fora da UE, o Reino Unido teria menos comércio externo, uma moeda mais fraca, uma praça financeira mais irrelevante, e seria uma potência mundial de segunda classe
Em caso de Brexit, a Escócia aproveitava para sair do Reino Unido e Londres teria de negociar uma rede de novos tratados comerciais com dezenas de países, dos quais beneficia por pertencer à UE. As complicações legais seriam assombrosas, por exemplo, para os dois milhões de britânicos que vivem em países da União Europeia e cujos interesses não podiam ser negociados caso a caso

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Lembram-se das opiniões que despontaram em Novembro como cogumelos? De repente a Dinamarca era apontada como modelo virtuoso a seguir. Motivo: ali vigora um governo liderado por um partido que não foi o mais votado nas legislativas e o "espírito de pacto" era então enaltecido e considerado fundamental para que um político como António Costa ascendesse ao poder por cá, embora sem ter recolhido sequer um terço dos votos expressos no escrutínio de 4 de Outubro.
Que esse modelo fomentasse o radicalismo identitário das forças minoritárias e desvirtuasse a regra número um da democracia - que manda confiar o exercício do poder aos mais votados e não aos que recolhem menos votos - era um pormenor de somenos para os arautos de tal tese, vigente apenas em quatro dos 28 Estados da União Europeia (os outros são a Bélgica, a Letónia e o Luxemburgo.) Que esse modelo assente essencialmente em coligações e não em gabinetes minoritários como aquele que se formou em Portugal era outro irrelevante detalhe.
Esta sinfonia de elogios à Dinamarca ocorreu há três meses - tempo que em política é uma eternidade. Hoje os mesmos que tanto enalteciam aquele país como fonte inspiradora são os primeiros a dirigir críticas ao Executivo de Copenhaga pelas suas leis de exclusão dos imigrantes ditadas pelo mais persecutório espírito xenófobo. De repente, já com Costa instalado em São Bento, a Dinamarca passou de virtuosa a viciosa. Na boca e na pena dos mesmos que tantos adjectivos derramaram em louvor do sistema político da monarquia nórdica.
A União Europeia mudou ontem de forma fundamental. Na prática, o Reino Unido garantiu o direito de não avançar com certas políticas comunitárias sem negociar contrapartidas. O primeiro-ministro David Cameron referiu-se a um “estatuto especial” para o seu país, mas já existia no jargão europeu um termo para designar o que acabou por ser adoptado: Europa à la carte.
A União Europeia está ainda mergulhada numa situação pantanosa, com várias frentes de crise, sobretudo a financeira e das migrações, que ameaçam estilhaçar a organização. Não dispondo de uma política comum de asilo, fronteiras e de imigração, a Europa precisa de responder a uma crise humanitária sem precedentes, não podendo abandonar à sua sorte milhões de pessoas que fogem da guerra da Síria, mas também não podendo deixar que os traficantes controlem o processo. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Se antigamente a prática da "quebra da moeda" era recurso inevitável, a moeda única tem, inversamente, um largo problema. Se, estando num sistema económico com outros países muito mais dinâmicos, não demonstra competitividade, Portugal arrisca-se a ser o joio na seara europeia. Pois não gera confiança pela sua economia.

O EURO arrisca-se a não cumprir uma década em circulação. E aqui começa o fim do projecto europeu: se se fala da inexistência de um espírito federalista em termos políticos, em termos económicos faltará ainda o espírito solidário que una países ricos e países pobres na Europa. E foi a solidariedade e cooperação que geraram no segundo pós-guerra a fundação daquilo que iria a ser o projecto europeu. 
Actualmente, Alemanha e França olham para os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) como entraves aos seus interesses. Por mais planos de reestruturação das dívidas e empréstimos do FMI/BCE/UE, o mal está lançado. Não há solidariedade na Europa. Mas os portugueses tendem a ver sempre o seu lado, assumindo-se como coitadinhos por todos os males que sob si recaíram. Os filandeses perguntam: "Como é possível que um país, que teve duas intervenções do FMI em 30 anos, tenha agora de recorrer à terceira assistência?".
Não acredito na Europa actualmente. É um projecto falido e sinto que Bruxelas, como centro decisório, se afasta cada vez mais da cidadania europeia...infelizmente.