Se antigamente a prática da "quebra da moeda" era recurso inevitável, a moeda única tem, inversamente, um largo problema. Se, estando num sistema económico com outros países muito mais dinâmicos, não demonstra competitividade, Portugal arrisca-se a ser o joio na seara europeia. Pois não gera confiança pela sua economia.
O EURO arrisca-se a não cumprir uma década em circulação. E aqui começa o fim do projecto europeu: se se fala da inexistência de um espírito federalista em termos políticos, em termos económicos faltará ainda o espírito solidário que una países ricos e países pobres na Europa. E foi a solidariedade e cooperação que geraram no segundo pós-guerra a fundação daquilo que iria a ser o projecto europeu.
Actualmente, Alemanha e França olham para os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) como entraves aos seus interesses. Por mais planos de reestruturação das dívidas e empréstimos do FMI/BCE/UE, o mal está lançado. Não há solidariedade na Europa. Mas os portugueses tendem a ver sempre o seu lado, assumindo-se como coitadinhos por todos os males que sob si recaíram. Os filandeses perguntam: "Como é possível que um país, que teve duas intervenções do FMI em 30 anos, tenha agora de recorrer à terceira assistência?".
Não acredito na Europa actualmente. É um projecto falido e sinto que Bruxelas, como centro decisório, se afasta cada vez mais da cidadania europeia...infelizmente.
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